Entenda em 1 minuto
O que é a razão?
Dividimos o número de eleitores com título no município (TSE) pela população estimada (IBGE). Uma razão de 120% significa 120 eleitores registrados para cada 100 habitantes estimados.
Por que passa de 100%? é normal
O título fica onde a pessoa registrou, não onde mora. Quem se mudou e não transferiu continua contando ali. E a população do IBGE é uma estimativa. Por isso 739 municípios têm mais eleitores que habitantes — e quase sempre de forma legítima.
Razão 16+ leia com cuidado
Aqui o denominador é só quem tem idade de votar (16+), cerca de 80% da população. Como o divisor é menor, esse número é quase sempre maior: 64% dos municípios já passam de 100% só por isso. Use a razão total como referência principal.
O que isto não é
Não é um detector de fraude. É um ponto de partida para investigar — sempre com as explicações oficiais ao lado. Razão alta, sozinha, não indica irregularidade.
Os outros números (no perfil de cada cidade)
Gastos de campanha
Quanto cada campanha arrecadou e gastou em 2024 (prestação de contas ao TSE). São valores declarados — não indicam irregularidade, e gastar mais não compra voto.
Orçamento da prefeitura
Quanto o governo municipal arrecada e gasta por área — saúde, educação, etc. (Tesouro/SICONFI). Segurança é função do estado, então muitos municípios gastam pouco nela.
Votos em branco e nulos
Quantos eleitores votaram em branco ou anularam o voto para prefeito. Pode ser protesto, indecisão ou erro na urna — não é fraude.
Partido do eleito
O partido do prefeito e do governador eleitos (TSE). Mostramos só o partido — sem rótulo de esquerda ou direita.
O mapa
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A foto do Brasil
Distribuição dos — municípios pelo indicador escolhido (abaixo). Cada barra é uma faixa de valores.
Quem se destaca
Compare duas cidades
Coloque dois municípios lado a lado — bom pra resolver aquela discussão.
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Metodologia e limites
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Fontes e anos de referência
- Eleitorado — TSE, “Eleitorado Atual” (mais recente).
- População total — IBGE, estimativa anual (tabela 6579), .
- Idade (16+) — IBGE, Censo 2022 (tabela 9514).
- Gastos e arrecadação de campanha — TSE, “Prestação de contas eleitorais — candidatos”, eleição municipal 2024 (receitas e despesas contratadas).
- Orçamento público municipal — Tesouro Nacional/SICONFI, Declaração de Contas Anuais 2024 (receita e despesa por função: saúde, educação, segurança).
- Votos válidos, brancos e nulos — TSE, “Detalhe da votação por município e zona”, prefeito, 1º turno de 2024.
- Resultado da eleição — TSE, “Votação nominal por município e zona”: prefeito 2024 (vencedor, partido, margem) e governador 2022 (partido). Mostramos o partido do eleito, sem rótulo ideológico.
- Correspondência de códigos — crosswalk oficial TSE↔IBGE.
⚠️ Os três dados são de anos diferentes (eleitorado mais recente, estimativa de população e Censo 2022). Eles são o melhor disponível, mas a comparação não é do mesmo instante.
Como calculamos
- Razão total = eleitores ÷ população total estimada.
- Razão 16+ = eleitores ÷ população em idade de votar estimada. Como a estimativa anual não traz idade, aplicamos a proporção de 16+ do Censo 2022 à estimativa do ano. É uma extrapolação (assume que a estrutura etária do município se manteve igual à de 2022).
- Outlier estatístico = razão acima de Q3 + 1,5·IQR (regra de Tukey), calculado no Brasil; a leitura por UF aparece no detalhe.
O marcador de 80% e a revisão de eleitorado (o que a lei diz)
Pela Resolução TSE nº 23.659/2021, art. 105, a revisão de eleitorado de ofício depende de três critérios CUMULATIVOS (todos juntos), e ainda assim é discricionária:
- transferências no ano ≥ 10% acima do ano anterior;
- eleitorado superior ao dobro da população de 10–15 anos somada à de 70+;
- eleitorado superior a 80% da população projetada pelo IBGE.
Mostramos apenas o 3º critério (>80%) como um marcador — ele sozinho NÃO enseja revisão. O próprio TSE afirma que “a desproporção entre o número de eleitores e a população, por si só, não enseja a revisão”. Por isso ~58% dos municípios passam de 80% e isso, isolado, não significa nada de irregular.
Limites que você deve saber
- A população do IBGE é estimativa, não contagem exata.
- A razão 16+ passa de 100% por construção em boa parte do país (divisor menor) — não a leia como anomalia isolada.
- Eleitores no exterior (≈917 mil) são excluídos (sem população IBGE).
- A malha do mapa é simplificada — um ponto na divisa pode cair no vizinho.
- Razão alta é comum e majoritariamente legítima (domicílio eleitoral, migração). Isto sinaliza onde olhar, não onde há irregularidade.
- Gastos de campanha são valores declarados na prestação de contas de 2024 — não refletem o julgamento das contas pelo TSE e não indicam, por si sós, irregularidade. Gasto maior não significa compra de votos: o voto é secreto. Usamos as despesas contratadas (gasto total declarado) e as receitas (arrecadação); “despesas pagas” e doadores não entram.
- Orçamento público (SICONFI) é dinheiro da prefeitura, não de campanha. São despesas empenhadas e receitas realizadas declaradas pelo próprio município; a cobertura depende do envio de cada um e os valores não refletem julgamento de contas. Segurança pública é majoritariamente função estadual — muitos municípios gastam pouco ou nada.
Tudo é reproduzível a partir dos dados brutos oficiais; cada
arquivo tem URL, data e hash em manifest/provenance.json.